MoteSe não houver desenvolvimentoNunca pode haver riqueza Só se acossam para dentro Cada vez à mais pobreza |
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IQuem está bem já está esquecidoDe quem anda no Mundo a penar Sempre, sempre a trabalhar E já nada nos tem valido Vemos os campos perdidos Com muito pouco rendimentos Só homens de grandes talentos Vê lá o que andas a fazer Isto assim não pode ser Se não houver desenvolvimento |
IIIVêem-se os campos desprezadosGrandes terrenos tão enormes Andam gados com fome Sem haver nada semeado Se não houver nada terminado E não se voltar o vento Vai haver grande sofrimento Sem haver trigo nem centeio Ó rico estás farto e cheio Só te acossas para dentro |
IIQuem anda na terra a trabalharPara bem da nossa Nação Na terra que dá o pão Para a gente se alimentar Todos devemos nisto pensar Nesta Nação portuguesa Podemos ter a certeza E podemos acreditar Se isto não realizar Nunca pode haver riqueza (voltar) |
IVAgricultura está paradaAonde estão os agricultores Ó eles não têm valor Ó a terra não vale nada No chão direito ó chapada Perde-se toda a nobreza Pela força da Natureza O seu destino chegou ao fim Está tudo mais ruim Cada vez à mais pobreza Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteJá não há terra lavradaNão há trigo para nascer Morremos todos com fome Não há pão para comer |
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ITemos a nação perdida Já ninguém quer trabalhar Dão subsídio para não semear O que é feito da nossa vida Uma pátria mal dirigida Os governantes não valem nada Nesta nação tão desgraçada É triste o nosso viver Isto assim não pode ser Já não à terra lavrada |
IIIMinistro da agricultura Perdemos a mais valia O povo não tem alegria Vive numa noite escura Nossa vida amarga e dura Que o povo já nem dorme É uma tristeza enorme Dentro da nossa nação Vivendo nesta aflição Morremos todos com fome |
IIJá não se vê brilhar Os nossos campos Alentejanos A nossa vida e os enganos Eu não me posso lembrar Uma guerra se vai formar Temos muito que sofrer Ninguém nos pode valer Eu não estou enganado Vamos vendo o resultado Não há trigo para nascer (voltar) |
IVMinistros da nossa nação Manda os terrenos semear Para tudo trabalhar Com muita dedicação Semeando tudo com direcção É isto que me leva a crer Digo e torno a dizer Que a vida é uma loucura Vão todos parar à sepultura Não há pão para comer Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteSou idoso mas entendoQue mereço o teu carinho Escuta jovem e aprende Que é também o teu caminho |
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IHá distância na idadeDado que nasci primeiro Mas sempre bom companheiro Ninguém tratei com maldade Aceita esta verdade Que a ti nada te ofende É uma luz que se acende Dar-te a outra versão E que aceites a lição Sou idoso mas entendo |
IIINão me deves tratar malMete no teu pensamento Aceita o meu sofrimento Porque sou um em teu igual Sendo também racional Minha memória defende Que o velho de ti depende Tu também vais depender E hás-de reconhecer Escuta jovem e aprende |
IISempre tratei com respeitoEm novo todo o idoso Quem o mal trata por gozo Mais tarde terá proveito Por isso dá lá o jeito Vê se ficas mais meiguinho Ao ganhares juizinho Terás outra formação E presta-me atenção Que mereço o teu carinho (voltar) |
IVEstás na força da vidaPensas que é sempre assim Mas essa estrada tem fim Por vezes não é comprida Por isso vê com medida Não trates mal o velhinho Arranja sempre um jeitinho De o trazeres bem tratado Assim és recompensado Que é também o teu caminho Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteUm pobre velho coitadoÁ minha porta parou Ali foi arrecolhido Até que a morte o levou |
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IDeu-me pena de verEsta triste criatura Castigado da escravatura Pedindo pão para comer Não devia no mundo haver Fiquei bastante apaixonado Um homem por Deus criado Viver nesta triste vida Na nossa pátria tão querida Um pobre velho coitado |
IIINestas terras portuguesasHá muita gente em dificuldade Podemos querer que é verdade Vivendo na maior pobreza É bom que esta se veja Todos tomarmos sentido Já nada tem valido Uns pobres sem terem um lar Ninguém os quer acariar Ali foi arrecolhido |
IIVamos voltando ao antigamenteVêem-se os velhinhos desprezados Já não são acarinhados Como podem estar contentes Já muitos estão doentes Que a saúde os desprezou Nunca mais ela regressou Para ter gosto na vida Já temos a esperança perdida Á minha porta parou (voltar) |
IVTem um pai filhos criadosCom prazer e alegria Quando perde a mais valia Devia ser mais acarinhado Só assim era recompensado Por ser pai e ser avô O seu destino acabou Por ser um homem doente Chega-lhe tudo de repente Até que a morte o levou Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MotePedrogão com duas FreguesiasComo é que isto aconteceu É muito triste agente mandar Naquilo que não é seu |
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IPedrogão és bem governadoLevas daqui a mais valia Tu nunca tens demasia Bastante nos tens falsiado Estamos vendo o resultado Não era isso que agente merecia Vivendo em democracia Dizemos a pura da verdade Foi uma grande falsidade Pedrogão com duas Freguesias |
IIIPedrogão estás-te vingandoNesta terra desgraçada Não levas tudo ao fio da espada Temos que te ir envergonhando Nós assim vamos ralhando Não o podemos negar Devias as contas nos dar Fazer tudo na razão Podias ter melhor coração É muito triste agente mandar |
IIPedrogão tu tens mais vidaCom este nosso povoado Tudo daqui tens levado Desta terra tão querida Vive no mundo esquecida Porque já tudo se perdeu Que já nada nos valeu Querem em tudo mandar Triste a sorte de Marmelar Como é que isto aconteceu (voltar) |
IVPedrogão devias dar agenteEssa tão grande riqueza Foi nos dada de certeza Por um herói de antigamente Era um homem excelente Sabia tudo o que ofereceu Tudo no mundo esqueceu Por não saberem avaliar Agora em tudo querem governar Naquilo que não é seu Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteGeneral Humberto DelgadoNasceste com pouca sorte Foram uns grandes os assassinos Os autores da tua morte |
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ILevaram-me para eu verE visitar a tua sepultura Naquela solidão tão escura Se não visse não queria querer Eu estive nas placas a ler Eu vi o teu nome gravado Fiquei muito apaixonado Por seres um homem de valor Eras um grande superior General Humberto Delgado |
IIIMataram Humberto DelgadoSem terem pena nem paixão Aquele horrível ladrão Devia ser degolado Também devia ser assassinado Para acabar com esse destino Por ser um homem traquino Não fazer tamanha maldade Para dizer bem a verdade Foram uns grandes assassinos |
IIEra um político lutadorContra o regime de Salazar Que não se podia falar Nesta grande ditador Mas Humberto tinha valor Que nasceu com este dote Era um homem puro e forte Na politica da verdade Fizeram-te uma grande falsidade Nasceste com pouca sorte (voltar) |
IVTriste foi o teu destinoQuem te havia de dizer Que a Espanha ias morrer Por seres um triste peregrino Foi um falso repentino Que deu fim á tua sorte Por seres um politico forte Sempre contra a ditadura Eras boa criatura Mas foram actores da tua morte Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteÓ rico, tu bem podiasRepartires com quem não tem Tu ficavas sempre rico E o pobre ficava bem |
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INão tenhas pena de darAlguma da tua riqueza Que ficas rico na mesma Ninguém ta pode tirar Se souberes avaliar Tu ficas com mais alegria Não perdes a tua valia Dentro da tua nação Se tiveres bom coração Ó rico, tu bem podias |
IIIQuando alguém te pedirAlgum bocado de pão Tu nunca digas que não Tu não sabes o que há-de vir É favor nunca mentir E não podes pensar nisto Porque com fome não resisto Dá-me da tua riqueza Eu vou-te dar a certeza Que tu ficas sempre rico |
IIOs teus belos rendimentosNasceram de quem trabalha A tua memória não falha Podes ter bons sentimentos Homem de grandes talentos Tu sabes aquilo que tens Toda a gente te quer bem E te querem boa sorte Desde o berço até a morte Reparte com quem não tem (voltar) |
IVUm pobre trabalhadorAinda tem que andar a pedir Não devíamos consentir Mas ninguém lhe dá valor Era para ser um superior Mas coitado nada tem Mas ás vezes ainda vem Pedindo para comer Se tu quiseres compreender E o pobre ficava bem Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteNo tempo de SalazarEra grande escravidão Por vezes andava com fome Cria comer e não tinha pão |
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ICinquenta anos de ditaduraAcho que não devia haver mais Foram sofrimentos demais Para qualquer criatura Acho que foi uma loucura Todos devíamos lembrar Nunca mais devia voltar Cá no nosso Continente Foi horrível para toda a gente O tempo de Salazar |
IIIMuita gente já não se lembraDo tempo que passou Mas ainda cá voltou Para sermos castigados Tanto que temos passado Nesta pobreza tão enorme Haja quem informe Para saber a pura da verdade Havia muita desigualdade Por vezes andavam com fome |
IIMinha mãe que me criouCom bastante sofrimento Tantos ais tantos tormentos Tudo por mim se passou Quem eu era quem eu sou Um homem de revolução Todos temos muita razão Darmos fim a este mal Cá no nosso Portugal Era grande a escravidão (voltar) |
IVTanta gente a trabalharDo nascer do Sol até ao pôr A dar o produto ao lavrador E tão poucaxinho ganhar Não daria para nos alimentar O pobre tinha muita razão Via-se em muita aflição Na vida não tinha prazer Era triste o nosso viver Queria comer e não tinha pão Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteMuito cara está a vidaPara quem não tem que vender O pobre trabalhador Já não ganha para comer |
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IVai um homem trabalharPara um qualquer patrão Com um bocado de pão Tem que almoçar e jantar Conduto não pode comprar Bebe alguma água fervida Traz a barriga franzida Aperta com uma correia A noite passa sem ceia Muito cara está a vida |
IIIA trabalhar a vida inteiraNão ajunta um vintei O pobre nunca se vê bem Reclama desta maneira Vai perdendo toda a sigueira Porque não lhe dão valor Devia ser mais superior E haver mais igualdade Vive sempre em necessidade O pobre trabalhador |
IINinguém devia trabalharSem ganhar para o alimento Não tinha tanto sofrimento Nem tinha tanto em que pensar Para saber avaliar Na vida que está a correr Sem nada poder fazer Vive triste e mal fadado É um homem desgraçado Para quem não tem que vender (voltar) |
IVA viver em escravidãoAcho que não está bem Isso a mim não me convem Mas que grande aflição E sempre que tem razão Para a pátria defender Todos vão enriquecer Á conta do desgraçado Anda mal alimentado Já não ganha para comer Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteIr à escola é muito lindoPara quem gosta de aprender Do maior ao mais pequeno Todos devíamos saber ler |
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ITudo se aprende até morrerDiz o antigo ditado Se eu for bem ensinado Nunca mais vou esquecer Recordar é renascer De tudo que é bem-vindo Todos se vamos instruindo São erros da natureza Para lhe dar a certeza Ir a escola é muito lindo |
IIIÀ muita gente que fazPouco da terceira idade Não me tratem com falsidade Que eu não quero voltar atrás Eu fui sempre bom rapaz O meu lugar desempenho É por isso que me entretenho A fazer a minha escrita Acho que é uma coisa bonita Do maior ao mais pequeno |
IIÉ preciso ter bom sentidoPara poder estudar Eu gostava de lá chegar Fazer tudo como é devido Não posso estar esquecido Daquilo que estão a fazer Todos temos que entender As palavras que são bem feitas Fazer linhas direitas Para quem gosta de aprender (voltar) |
IVVou ter muita alegriaE ficar muito contente Eu sou uma pessoa excelente Em chegando aquele dia São coisas de mais valia Todos devemos agradecer Eu ainda espero ver O meu sonho realizado Para ser mais bem lembrado Todos devíamos saber ler Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteDigo mal à minha vidaAndo sempre arreliado Já não há quem tenha dó Desde pobre mal amado |
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IVivo numa escuridãoEm me ver tão aborrecido Já perdi o meu sentido Por ser doente do coração Eu sei que tenho razão Mas vejo a minha alma perdida Levo o tempo na minha lida Dentro da minha propriedade Para dizer a verdade Digo mal à minha vida |
IIINunca pensei que tivesseUma sorte tão tirana Que fui cair numa chama Quem me havia a mim dizer Vejo o meu corpo a arder Aqui dentro desta fogueira Fui cair nesta asneira A bailar o solidó Pelo jeito que eu estou a ver Já não há quem tenha dó |
IIVivo na minha tristezaJá nunca mais vão esquecer A verdade tenho que a dizer Por ser filho da natureza Sendo da maior realeza Vejo-me pobre e mal fadado Já me vejo desprezado Perdi a minha competência Tenho que ter paciência Mas ando sempre arreliado (voltar) |
IVÀs vezes nisto pensandoDá-me vontade de chorar Eu não me posso lembrar Mas estou-me sempre lembrando Nem deveras nem mangando Eu vivo mais descansado Queria ser mais estimado Era isso que eu queria Viver com alegria Mesmo pobre e mal amado Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteCom alegria e tristeza Tudo por mim tem passado Bastante me tenho rido Muito mais tenho chorado |
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ITenho tido na minha vida Grandes coisas para contar Eu não queria caminhar Nesta jornada tão comprida Para o resto da minha vida Nesta terra portuguesa Eu queria ter a certeza Para nada me faltar Até de noite estou a sonhar Com alegria e tristeza |
IIIAo santinho desta terra Eu quero pedir perdão Para ver quem tem razão E nunca mais haver guerra Quem aponta também erra Porque me falta o sentido Com tanto que tenho pedido A esta nossa Padroeira Lá por eu fazer asneiras Bastante me tenho rido |
IITanto ódio e má vontade Que existe em muita gente Vivermos mais amigavelmente E não haver tanta maldade Essa é que era a realidade Dos tempos mais atrasados Tudo devia ser mais delicado Era esse o meu prazer Neste meu belo entender Tudo por mim tem passado (voltar) |
IVQuando eu for para a sepultura Acaba-se o sofrimento Até fico no aposento Debaixo da terra dura Foi mal que não teve cura Para toda a gente fico lembrado Ia bem para todo o lado Fui sempre bom português Posso-lhe dizer outra vez Muito mais tenho chorado Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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MoteA Terra dá alimentos Para toda a humanidade A terra dá o sustento Para todos em igualdade |
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IA terra dá frutos e vegetais Para a nossa alimentação Dá azeite, vinho e pão Que são esses os principais São os frutos naturais Criados ao rigor do tempo Dá-nos a terra o firmamento Para todo o ser animal Talhando em vida normal A terra dá alimentos |
IIIO sol, a terra e o mar Dominam o mundo inteiro Podem querer que é verdadeiro Que dá mesmo para pensar Há quem não queira acreditar Neste poder tão violento Onde o sol faz aposento A toda a hora do dia Para uma enorme quantia A terra dá o sustento |
IIA água faz germinar Toda a semente na terra No mais alto cimo da serra Ela tudo vai regar Quem nos campos semear Com amor e amizade Fica sempre com saudades De ter boa produção Quem na terra semeia pão Para toda a humanidade (voltar) |
IVA água enorme riqueza Espalhada pelo mundo Tem um valor tão profundo Criado pela natureza Tem uma tão grande beleza Tudo lhe tem amizade É um ser de verdade Respeito lhe devemos ter E gosto ouvir chover Para todos em igualdade Domingos Cabanas Fialho, Marmelar |
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